Tuesday, June 24, 2003
não estou ainda familiarizado com bloggs. Lendo contudo algumas das mensagens publicadas fiquei agrdavelmente surpreendido com a qualidade e interesse deste tipo de comunicação. O que me leva a sugerir este tema é este mau estar que provavelmente a maioria de nós, portugueses, sente, quando verificamos a modéstia do nosso desempenho colectivo, em variadÃssimos sectores. A sensação de incómodo não passa quando, olhando para a nossa História e passado recente, nos damos conta das oportunidades que soubemos criar ou nos foram dadas. Apesar disso, não funcionámos enquanto comunidade, ao nÃvel que desejarÃamos e deveráiamos. Na Escola, há algumas décadas, fomos providos de sinais e informações contraditórias: Éramos um "grande paÃs, multirracial e pluricontinental", mas simultâneamente "um paÃs pobre, com território exÃguo e poucos recursos"..... "éramos importantes e respeitados no concerto das nações" mas era no estatuto de emigrantes que muitos nos revÃamos. A Nação era rica, os seus Filhos pobres. A Pátria, para a maioria de nós, é aconchego e tirania. Temos uma escala própria, uma escala pequenina, aconchegante e única que nos distingue de quase todas as outras Comunidades. É ver Goa ou Damão, para falar de um caso, e percebemos bem o que isso significa. Somos bons patrÃcios e maus cidadãos. Generosos e, quantas vezes, crueis. Um Povo, em suma, interessante, sui generis e que -dirão sempre os mais optimistas- fez muita coisa boa. É verdade, e essa parte não me preocupa. Preocupa-me sim, a outra, a que em 2003, no quase término de um perÃodo em que nos foram dadas tantas oportunidades, continuamos com 20% da população no limiar europeu da pobreza, em que a mediocridade de desempenho raramente impede o "sucesso", em que não fazer ou fazer mal nunca foi, colectivamente falando, tabela de aferição na vida pública. Os lados menos transparentes e decididamenrte obscuros do nosso funcionamento social têm um enorme custo colectivo. Quanto custo o nepotismo em termos de eficácia na gestão de recursos humanos, quanto custa a desmotivação provocada por mil atropelos à legalidade e transparência, no nosso dia a dia, em termos de produção e produtividade....Qual é o preço da vaidade dos Actores, em despesas, custos e subalternização da Acção, em termos colectivos...
Este assunto anda-me na cabeça há anos. Este assunto deve incomodar o lado bom que todos temos. Não está por isso mais arrumado nem diagnosticado. O "mal portugûes" paira no ar, tolhe-nos o voo colectivo como Nação e limita-nos como indivÃduos e cidadãos. Não é só isto nem aquilo. São muitas muitas coisas, algumas bem ancestrais, bem enraizadas, bem "nossas". Gostava que esta troca de pontos de vista servisse para nos ajudar a perceber o que é que nos correu mal, as raizes e manifestações deste "mal português" que persiste em adiar o nosso reencontro connosco e com a História que temos o dever de colectivamente escrever.
Este assunto anda-me na cabeça há anos. Este assunto deve incomodar o lado bom que todos temos. Não está por isso mais arrumado nem diagnosticado. O "mal portugûes" paira no ar, tolhe-nos o voo colectivo como Nação e limita-nos como indivÃduos e cidadãos. Não é só isto nem aquilo. São muitas muitas coisas, algumas bem ancestrais, bem enraizadas, bem "nossas". Gostava que esta troca de pontos de vista servisse para nos ajudar a perceber o que é que nos correu mal, as raizes e manifestações deste "mal português" que persiste em adiar o nosso reencontro connosco e com a História que temos o dever de colectivamente escrever.